A PRAÇA DOS PESCADORES

altA praça no encontro das ruas Alvinópolis, Dores do Indaiá e Conselheiro Rocha foi uma das principais portas de entrada do bairro Santa Tereza até os anos 50.  A praça, que já foi chamada de Pavuna, fica na região do bairro que antes era conhecida como Mandiocal, é pequena, não muito maior que uma rotatória, mas tem um público fiel. Ali ficava a antiga Ponte do Cardoso, que cruzava o ribeirão Arrudas e ligava o Santa Tereza ao bairro Santa Efigênia, e também a parada do trem. Por ali entraram no bairro pela primeira vez vários estrangeiros que se dirigiam a Hospedaria dos Imigrantes, onde hoje é o Colégio Tiradentes, e também muitos dos pacientes do Hospital Cícero Ferreira, conhecido como Isolado.

Hoje a praça não fica mais em um ponto de passagem obrigatório, mas ainda assim é um dos pontos mais movimentados do bairro. Também mudou de nome: hoje se chama Praça Ernesto Tassini, em homenagem a um antigo morador do bairro. Durante o carnaval desse ano foi um lugar para onde muitos foliões iam após o encerramento dos blocos de rua, mesmo sem nenhuma programação oficial. Considerando o tamanho e a estrutura da Praça Duque de Caxias, cartão postal do bairro, e a profusão de bares ao redor do Alto dos Piolhos, outro reduto da boemia, é curioso perceber que muita gente ainda prefira a modesta praça Ernesto Tassini, que conta com apenas dois bares. Na falta de cadeiras nos bares os frequentadores acabam por se espalhar na praça, nos bancos à margem do metrô e nas ruas ao redor.

Além da posição estratégica, a Praça Pavuna tinha também o Bar dos Pescadores, do seu Zé Inácio, um dos primeiros do bairro. Ali quase na beira do ribeirão Arrudas o seu Zé Inácio vendia artigos para pesca, mercearia e, claro, cerveja. A proximidade com o antigo campo do Minas Esporte Clube, onde havia jogos amadores todo domingo, garantia também um público frequente na praça. Foi ali também que nasceu o primeiro e mais duradouro bloco caricato do carnaval de Santa Tereza, o Eu Não Rapo Nada, presidido pelo Zé Inácio.

O bloco Eu Não Rapo Nada nasceu em 1933 e desfilou por quase meio século, chegando a ter 120 inscritos e só parando em 1981, quando seu Zé Inácio já não podia seguir a folia por motivo de saúde. Depois de peregrinar pelo bairro o Eu Não Rapo Nada fazia algo pouco comum em blocos carnavlescos: os foliões levavam a festa para dentro do bondinho e seguiam para o centro da cidade! Como o bloco durou mais tempo que o bondinho, os foliões tiveram que se virar, levando a folia ao centro ora a pé, ora de Trólebus, se adaptando às circunstâncias.de cada época.

O seu Zé Inácio faleceu, mas o Bar dos Pescadores continuou aberto, foi vendido duas vezes e acabou nas mãos do seu Orlando, que já comanda o baralt há pelo menos 30 anos. No ano passado a casa onde se encontra o bar foi tombado pela Diretoria de Patrimônio Cultural de Belo Horizonte, que considerou que a construçãomantém elementos da ambiência urbana, vinculados ao modo de vida nos bairros pericentrais, cuja preservação seria necessária à manutenção das identidades locais e o patrimônio edificado destes bairros, vinculado ao cotidiano e aos modos de mora”.

Em 1997, do outro lado da praça, foi fundada a Pizzaria Parada do Cardoso, que além do nome mantinha outras referências estéticas a antiga parada do trem. Mesmo sem a estação, mesmo sem a ponte, a Praça, agora escondida num canto do bairro, resiste como um ponto de encontro importante. Hoje a Praça Ernesto Tassini é, sem dúvidas, uma das praças mais charmosas do bairro.

publicado originalmente em 13 de maio em http://santaterezatem.com.br/component/categoryblock/a-praca-dos-pescadores

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