Helena Greco – não existe hora certa de mudar

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“Eu acho que eu não tenho assim muita imaginação não, sabe?
E acho que é por isso que eu não tenho medo.”
Dona Helena Greco

Uma casa se destaca logo nos primeiros quarteirões da rua Hermílio Alves, na entrada do bairro Santa Tereza. O muro rubro-negro e uma árvore frondosa na varanda chamam a atenção dos passantes, que se aproximam do portão para ler o nome pintado: Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania. A casa presta uma homenagem a dona Helena Greco, humanista e referência na área de direitos humanos e feminismo em Belo Horizonte.

Dona Helena Greco nasceu em 1916 em Abaeté, a cerca de 200 quilômetros da capital, e se graduou em Farmácia na UFMG em 1937. Entretanto foi somente em 1977, mesmo ano em que surgiram as Madres de la Plaza de Mayo em Buenos Aires, que dona Helena Greco, já aos sessenta e um anos, começou a aparecer nos jornais e se tornar conhecida pelo seu ativismo em defesa dos direitos humanos.

Naquele mesmo ano fundou o Movimento Feminino pela Anistia/MG e se tornou um marco na defesa intransigente da vida e na luta contra a tortura. No ano seguinte participou da fundação do Comitê Brasileiro de Anistia/MG e passou a organizar as comemorações públicas do Dia Internacional da Mulher. Ficou conhecida por ajudar presos políticos e vítimas de tortura, mesmo após sua casa passar a ser alvo de ameaças e atentados a bomba.

Em 1979 dona Helena Greco desafiou o governo militar representando o país em Roma, no Congresso pela Anistia no Brasil. Quatro anos depois, em 1983, tomou posse como a primeira vereadora eleita de Belo Horizonte, sendo reeleita em 1989. Durante seu tempo no legislativo trabalhou pela implementação da Comissão Permanente de Direitos Humanos, a primeira do tipo no país, e pela fundação do Movimento Tortura Nunca Mais/MG. Após o fim de seu segundo mandato idealizou  ainda a Coordenadoria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura, o primeiro órgão de direitos humanos no poder Executivo no Brasil e uma das maiores referências na área.

Charge: Nilson

Charge: Nilson

Em 1995, aos setenta e nove anos, participou da coordenação do Fórum Permanente de Luta pelos Direitos Humanos de Belo Horizonte. No mesmo ano teve seu trabalho homenageado  com o Prêmio Chico Mendes de Resistência. Recebeu ainda outros prêmios nos anos seguintes, como o Cidadania Mundial em 1999 e o Prêmio Che Guevara em 2002. Dona Helena Greco faleceu em 2011, aos noventa e cinco anos, vítima de uma pneumonia.

Helena Greco entendia o binômio Cidadania e Direitos Humanos, que hoje caracteriza o instituto que leva seu nome, como fundamentais para a construção de uma sociedade digna. Sua trajetória é um exemplo neste 8 de março, e impressiona pela determinação e coragem de uma pessoa incapaz de entregar os pontos, sempre disposta a rever seus posicionamentos de forma crítica e, assim, se renovar, recriar, reinventar.

Veja mais:
Arquivos Imperfeitos – Helena Greco

Para Dona Helena Greco

Palavra Ética: Frei Gilvander Luis e Heloísa Greco

I.H.G. – Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania
Câmara de Vereadores

~~x~~

publicado originalmente no dia 08 de março de 2013 no http://santaterezatem.com.br

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