La Commune

eu não havia percebido, mas o clima na comunidade estava tenso: a comunidade havia decidido pela permanência de um professor do ano passado, mas a secretária de educação, armada de caneta e carimbo, decidiu pela transferência do professor.

a comunidade tem trinta e nove construções, contando os flutuantes e as casas públicas (escola, casa do professor, casa de reuniões e etc.). existem duas igrejas, uma batista e outra deus é amor, e dizem os comunitários que vem um pastor montar uma assembléia de deus. as construções são organizadas lado a lado à beira do rio, para facilitar o acesso à água.

uma senhora faz um pão delicioso toda madrugada. além do pão ela vendecocão – um refrigerante genérico – e mikito – um chips de milho que todo mundo só chama de milito. lá no fim da comunidade, depois de uns pés de cana, seu acelino vende de tudo. sua rede fica suspensa entre cebola, açúcar, biscoitos e óleo de soja. só não vende álcool, que é proibido na comunidade. as crianças dizem que ele tem um bolão de notas assim ó, e que ele morava mais longe, até que recebeu algumas visitas de onça.

no fim da tarde todos os homens jogam bola e as mulheres se reúnem para conversar, com os filhos menores a tira-colo. as marcas da última cheia na parede das casas de palafita tem pouco mais de um metro acima do piso, mas me contaram os comunitários que nestas situações costumam subir o piso (sim, isto mesmo) até a altura necessária para não se molhar. neste período vão para a aula de canoa. a escola é a única construção de alvenaria, talvez por isto a mais quente. são duas salas de aula, uma secretaria, uma cozinha com dispensa anexa, dois banheiros e duas pequenas suítes. também é a única construção com banheiros, fossa e com uma caixa d’água, enchida durante as três horas de luz elétrica diárias e esvaziadas antes do meio dia. a antigas escola, menor e de madeira, se transformou na casa dos professores, onde moram alguns e onde cozinhamos, conversamos e jogamos purrinha valendo chulapa para passar o tempo.

~~x~~
escrito em fevereiro de 2011, publicado originalmente em 19 de março no extinto http://arrumaestabaguncaastrogildo.wordpress.com
Tefé, Amazonas

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