TEC! ZIP!

eu pulo do ajato. duas mochilas, umas maleta, uma caixa, um balde e uma cachorra pulam comigo. basta eu tocar o chão pra escutar TEC! ZIP! o primeiro som era uma das alças do velho mochilão arrebentando, o segundo a cachorra se livrando da coleira e dando linha. ótimo, penso. deixo algumas coisas na beira e subo o morro com o resto. vejo algumas senhoras me acompanhando de algumas janelas. subo, me apresento para uma delas (oi! tudo bem? bem. meu nome é matheus, sou professor, sabe onde posso deixar minhas coisas? os professor fica tudo ali, ó, na escola, tão ali agora. posso deixar minhas coisas aqui enquanto busco o resto? pode, eu olho.) e deçodesço para buscar o resto.

na escola de alvenaria sou recepcionado pelo diretor e dois professores, todos simpáticos. me mostram meu quarto, num canto da escola, quente pra burro mas com banheiro! me informam que não terei um cargo, mas três. EJA, multisseriado e pro-info. também dizem que o salario real é menor que o esperado, não sei ainda se por culpa do governo – INSS, FGTS e etc. – ou se apesar do governo – e aquele tal piso salarial?

no meu quarto dou uma varrida leve e expulso metade das aranhas. deixo porém algumas dezenas, na esperança de que elas retribuam a gentileza comendo outros insetos. na porta do banheiro um bicho me espia. é imenso, comprido, preto, tem várias patas e duas longas antenas. eu o espia em retribuição. ficamos assim por longos minutos, nos avaliando, nos medindo. ele mexe as antenas e eu alcanço a vassoura. que porra de bicho é este? merda. merda. será que pica? merda. na minha cabeça repasso todos os programas de tv sobre insetos nojentos. saio do quarto na esperança de ver alguem de bobeira. nada. o diretor dorme e o outro professor dá aulas. demoro uns 5 minutos pra concluir: é uma barata. a maior de todas. a mãe de todas. uma barata. merda. mato esta e depois mais 3, menores e com mais cara de barata. uma quinta foge para a floresta e eu grito “e conte pras outras da sua laia o que viu por aqui!” me arrependo do grito. matei uma média de 3 destas por dia.

começo uma faxina mas acaba a água da caixa e, cansado demais para descer à beira, peduro rede e mosquiteiro e macunaímo “ai que preguiça”.

amanhã vamos dar uma faxina na escola e dar um jeito nos morcegos que ocuparam o sótão e cuja bosta escorre por algumas paredes.

me convidam para jogar bola, mas declino, culpando a viagem. hora ou outra vou ter que jogar, penso, e logo macunaímo outra vez.

~~x~~
escrito em fevereiro de 2011, publicado originalmente no extinto http://arrumaestabaguncaastrogildo.wordpress.com
Tefé, Amazonas

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